domingo, 2 de outubro de 2011

Para todos

Queridos leitores!
O poema abaixo foi enviado pelo meu caro amigo o escritor e poeta Welington Almeida Pinto
Ele deseja a todos:

"Um bom Domingo de primavera quente em Belo Horizonte, ao som do Uirapuru da Amazônia em flor".


DA MAIS ALTA JANELA
DA MINHA CASA


Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.


Do imortal Fernando Pessoa

Um comentário:

Maria Cristina Gama disse...

...
Se nunca entramos na mesma água e assim o poeta se compara ao rio, seria bom se a gente mudasse sempre, mas com água cristalina que mostra todo o seu interior, tudo o que tem dentro...

Ótimo fim de semana
Chris