quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mensagem


O que é a vida?

É a nossa orquestra regida por um maestro invisível. Nós escolhemos a música, o maestro escolhe os arranjos. E assim, muda todo o espetáculo.
Sofia, a cachorra que meu filho ganhou no aniversário de três anos, completou quinze há poucos meses. E não comemorará dezesseis.
Até pouco tempo, ela era forte e muitos se surpreendiam com a sua aparência jovem e saudável. Mas o tempo corrói a vida sem que notemos.
Quando não se esperava, ela demonstrou sintomas de uma doença maligna já avançada. O rabinho não mais balançava, ela não mais comia nem saía para tomar sol. Passava o dia em pé, sem conseguir andar, desabava no chão, cansada até para chegar à sua cama.
Muitos são contra a eutanásia. No caso de animais, cujos últimos dias serão apenas de dor e sofrimento, eu sou a favor do sono antecipado. A cachorrinha, sem forças para gemer, apenas murmurava seu desconforto, e quando recebeu a medicação, de tão fraco era seu elo com a vida, nem espasmos teve, imediatamente descansou, apesar dos olhinhos abertos e sua cabeça deitada sobre minhas mãos.
Dizem que Sofia era uma cachorra de sorte, ela entrava e saía de casa quando queria, nunca soube o que é um canil ou ficar acorrentada. Conheceu países. Honestamente, pergunto-me que diferença fez atravessar fronteiras de avião, quando eu não a levava a passear todos os dias, o que era sem dúvida, sua maior alegria?

Difícil não ter peso na consciência. Com o passar do tempo, seus únicos passeios eram ir ao veterinário tomar banho, o que seguramente não era sua opção favorita. Era telefonar para o veterinário que ela se escondia. Ela ficava solta em um terreno de mil metros, mas o que é esse espaço quando a liberdade está além dos muros? Como um pássaro em gaiola de ouro, Sofia era bem tratada dentro da lei do menor esforço possível.
Eu sempre preferi gatos, pela capacidade de exercer a liberdade. Mesmo assim, Sofia me amava, me recebia rebolando, me procurava quando o vento soprava ou um rojão estourava, tão amedrontada que era. Ela também tinha pesadelos e por vezes tive que acalmá-la. Mas sua passagem não era esperada tão cedo.
Assim são os animais. Eles nos ensinam sobre a vida, a morte, a dor, o amor incondicional, a alegria com tão pouco, a desnecessidade de bens materiais, a amizade e a dedicação. Fez-me pensar em quantas pessoas podem nos deixar sem tempo de despedidas, desculpas ou gentilezas, assim, como uma chama de vela que, inexplicavelmente, diminui até deixar de existir para sempre. O que é a vida? Um sopro, apenas, um sopro.

Simone Pedersen

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