segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Viva a poesia!

Olá, minha gente querida!


Sempre gostei de poesia.
Na infância, eu era, com frequência, chamada para declamar versos
na frente da classe e nos dias de festa, lá estava eu, no palco do salão de eventos da escola, sem me incomodar com o fato de estar em evidência. Eu gostava de declamar poesias e pronto. Na adolescência, estudei em colégio de freiras e a professora de Português, irmã Marta, era muito rigorosa. Ai das alunas que lessem poesias românticas, de autoria de poetas populares. Mas, não adiantava a bronca. Nós líamos sim e J. G de Araújo Jorge era um dos nossos favoritos.
Leiam abaixo e apreciem uma de suas belas poesias.


Esperança

Não! A gente não morre quando quer,
Inda quando as tristezas nos consomem.
Há sempre luz no olhar de uma mulher
E sangue oculto na intenção de um homem.

Mesmo que o tempo seja apenas dor
E da desilusão se fique prisioneiro.
Vai-se um amor? Depois vem outro amor
Talvez maior do que o primeiro.

Sonho que se afogou na baixa-mar,
De novo há de erguer, cheio de fé,
Que mesmo sem ninguém o suspeitar,
Volta a encher a maré.

Não penses que jamais hás de achar fundo
Nem que entre as tuas mãos não terás outra mão.
Pode a vida matar o sonho e o sol e o mundo,
Mas não nos mata o coração.

(Poesia de Maria Helena,– extraído do livro
Concerto a 4 mãos - de JG de Araujo Jorge - 1959)

Há uma outra poesia, esta, lida e relida com as bençãos da Irmã Marta, de autoria de Guilherme de Almeida, que é, sem dúvida de uma beleza ímpar. Com certeza todos irão apreciar.

Felicidade
(Guilherme de Almeida)

Ela veio bater à minha porta
E falou-me, a sorrir, subindo a escada:
- “Bom dia, árvore velha e desfolhada!”
E eu respondi: - “Bom dia, folha morta!”

Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando, pouco importa!)
Houve canções na ramaria torta
E houve bandos de noivos pela estrada...

Então chamou-me e disse: - “Vou-me embora!
Sou a felicidade... Vive agora
Da lembrança do muito que te fiz!”

E foi assim que, em plena primavera,
Só quando ela partiu contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!


Um grande beijo,
Regina Sormani

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