domingo, 27 de março de 2011

DOMINGO PEDE PALAVRA — 52


O MINISTRO ESTÁ CERTO


O ministro José Antonio Dias Toffoli defendeu o Twitter, o blog e as redes sociais nos dias que antecedem as eleições. Disse que a justiça deverá se atualizar, se aperfeiçoar para acompanhar o tempo.
Ao defender o Twitter, os blogs e outros meios que as pessoas estão usando hoje para se comunicar, o ministro do TSE usou termos como "arcaico" com relação ao caso de o tribunal condenar esses meios, e comentou que a justiça tem que se adequar, se acostumar com as novas tecnologias.
O ministro compreendeu que o mundo agora é outro. Não tem sentido punir alguém por falar de seu candidato em ferramentas como essas, pois afinal, bem se posicionou ele: "Os meios de comunicação hoje não são mais o telefone, a carta e o telegrama". Muito bem, ministro!
E ele prosseguiu: "Os meios de comunicação hoje são as redes sociais". Imagine se fôssemos transcrever uma circunstância de alguém ser penalizado por falar ao telefone em período eleitoral. Ora, o Twitter e essas redes sociais representam a mesma coisa. São formas que as pessoas usam para se comunicar. E para o ministro, a justiça não pode exagerar. "Essa intervenção da justiça eleitoral é exagerada". E enfatizou, ao dizer que não consegue imaginar uma situação em que a justiça possa estar punindo alguém por falar ao telefone. Realmente.
Esse pronunciamento ocorreu durante o julgamento de recursos de políticos que foram multados por usarem as redes sociais.
E o ministro ainda disse uma coisa bonita sobre os blogs. Falou que o ambiente virtual do blog é "como se fosse a casa de uma pessoa".
Acertou em cheio, ministro! O Blog é mesmo como se fosse a casa de uma pessoa. Ele é a casa de alguém. O blogueiro recebe os seus visitantes e os seus amigos. Que são recebidos como visitas... Na casa virtual.
"No blog só vai lá quem quer!", concluiu de forma sábia o ministro.
Para ele, o Twitter pode ser comparado a um cochicho, "é uma pessoa cochichando com a outra". "No Twitter", foi mais longe o ministro, "as suas mensagens podem ser comparadas a uma conversa telefônica"... Com a vantagem, acrescento: de que a conversa pelo Twitter é mais concisa, mais objetiva, e pelo telefone às vezes é desnecessariamente longa.
O ministro percebeu, claro, que a justiça estará desmoralizada se insistir em proibir as redes sociais em épocas de eleições. Seria como certas recomendações e proibições do vaticano. Caem no esquecimento, ou melhor, no descaso.
Eu me dei por satisfeito e feliz, pois afinal, gostei muito quando ele disse que o blog é como se fosse a casa de uma pessoa.
Só faltou dizer, ministro, que o blog é como se fosse a Casa Azul de alguém, mas aí é querer demais.
O tempo que o tempo diz está chegando.

MARCIANO VASQUES

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